Existe pelo menos uma centena de coisas que podem salvar um dia – conheci uma garota que tinha o dia salvo e saia saltitando, mesmo dentro da maior crise existencial adolescente já presenciada, por que alguém(Qualquer pessoa mesmo) tinha ligado para seu celular ou lhe mandado uma mensagem. Porém, o meu dia não é salvo por nada vibre – não nos modelos convencionais, e por nada realmente interessante ou chique. É algo bem simples, na verdade:
O que salva o meu dia, é uma coisa só: Minha cama. Minha cama e minha habilidade surpreendente de dormir a qualquer momento que eu achar necessário, por quanto tempo eu achar necessário. Isso salva o meu dia por que faz o tempo passar rápido, faz o tempo praticamente deixar de existir: É quase como um tele-transporte para o futuro. Um futuro que, algum dia, por mais estúpido que seja, eu não consigo deixar de imaginar que vá ser bem melhor. O meu dia é salvo pela minha cama, e pela esperança que me faz agir – por que não adianta esperar o futuro, se você não faz nada por ele.
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Tudo de Blog, estou de volta.
O tema dessa era, obviamente, "O que salva seu dia?"
Por que, você sabe, não se pode fugir para sempre. Por mais triste - ou não - que isso seja, por mais injusto - ou não - que possa parecer, por mais terrivel - ou não - que possa soar, é verdade. Você simplesmente não pode, nunca pôde, e jamais poderá, fugir para sempre. Um dia você estará fazendo algo que não faz a muito tempo, e então, lá estará. Te olhará com olhos de fogo, te queimará a alma, te tornara miseravel e infeliz por decadas em forma de horas e dias perdidos entre meses, e antes que você perceba, antes que você possa sequer ter uma noção clara da situação, aquilo do que você sempre fugiu estará ali, ao seu lado, dominando seus dias. Dominando seus dias, sua vida, e, acima de tudo, sua mente - por que nós sempre pensamos mais no que não queremos pensar, e corremos direto para os braços do que tentamos evitar.
E você, então, se pegará pensando em um quarto escuro, de pernas cruzadas, olhar sem foco e cigarro aceso, em busca de um motivo. Por que? Por que, meu Deus? Por que, ó pai? Ó vida, ó azar, ó tristeza, ó dor... Ó balela absurda, decadentemente ridicula e limitante! Acorde de uma vez. Ele te encontrou. Você não podia fugir, tentou, mas ele te encontrou. O que fazer? O que dizer? A resposta existe no mais profundo dos seus pensamentos, os quais você empurra e decide jamais pensar. A resposta é uma só: Cai dentro. Para o bem ou para mal, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega... Então cai dentro, e pegue antes que pegue você.
Ou não.
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Ao som de: Foo Fighters - No Way Back
É um prazer conhece-lo, segure minha mão,
Não há como sair daqui.
É um prazer conhece-lo, faça suas preces
Não há como sair daqui.
Mas eu não me importo.
Não há como sair daqui.
Suspiro,
Palavra invisivel.
Suspiro,
Declaração inaldivel.
Suspiro.
Verbo infinito,
Presente existente,
Vento sublime
Que diz sem dizer.
Que fala e não fala,
Que clama e se cala.
Assopro de angustia,
De tédio,
Prazer, sono,
Ou lazer.
Suspiro,
Vocabulario completo,
Frase perdida,
Que diz sem dizer.
Que nasce da boca,
E se perde no ar.
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Valeu pela inspiração, Ka =*
Dançando, dançando,
Espirrando, dançando,
Gargalhando, girando,
Girando, girando,
Dançando, espirrando,
Cantando o vinho
Que cai, cai, dançando,
Cantando, girando, gritando,
Sorrindo, gargalhando,
Dançando, espirrando o
Vinho cantante, manchando
A parade dançante,
Que cai, cai, girando, dançando,
Amando, o vinho cantante e
Rindo e dançando e manchando
A parede, o amante do vinho
Dançante, morto cantante, sorrindo,
Dançando, caindo, manchando, cantando.
Anjo,
Perto ou
Distante,
Existente,
Morto, ou
Sobressalente.
Aqui,
Este quase assexuado
Vadio, reza perdido,
Doente e ferido,
Numa iludade realdiade,
Por uma prece
Atendida.
Quem és?
Aonde estás?
Pretendes um dia,
Deixar-me te buscar?
Buscar-te,
Levar-te,
Trazer-te,
Tragar-te,
Deglutir-te,
Possuir-te e tomar-te
Por meu.
Ainda que de todos,
Ainda que do mundo,
Mas meu.
Só meu,
Anjo.
O mundo estava conspirando com ele. A favor dele.
E mesmo com as nuvens negras dominando o céu, naquela cidade, nunca houve dia mais azul.
Homenagem ao dia 11/3, postada por que a Mariana me disse que não importa o tamanho, e sim como você o usa ;)
Estava sempre
Ali.
Sempre esteve
Ali.
Sempre estaria
Ali.
Era conhecido
Era bem querido
Era aclamado por fora
Do seu confortável
Ali.
Estava bem,
No seu Ali.
Era bom,
Ali.
O Ali era vazio
Sem ele.
Ele era vazio
Sem ali.
Ele estava sempre
Ali.
Ele estaria sempre
Ali.
Mas derrepente
Ali
Não estava mais.
Tirou os sapatos e as meias enquanto passava da ruazinha de pedra para a areia, para poder sentir o toque dos pequenos grão em toda a sola dos pés. Continuou seu caminho, sempre em frente, sem realmente se preocupar com tudo a sua volta, até atingir seu destino: o Mar. Sentiu a primeira das pequenas ondinhas se quebrar e molhar seus pés, a segunda já lhe ensopando a barra da calça jeans. Olhou em frente, para o horizonte infinito, o sol vermelho se pondo distante, quase morto.
Fechou os olhos pelo longo segundo em que inspirou pelo nariz, sentindo a pureza do ar passar queimando pelo seu nariz até seus pulmões. Abriu os olhos, agora repletos de alguma coisa desconhecida, com uma pitada de melancolia. Havia alguma coisa naquele ar... Alguma ausência, alguma coisa que não estava lá, mas que devia estar. Alguma coisa que precisava estar lá, algum cheiro que, como um piscar de olhos, você só de da conta de sua existência quando ele some.
Tentou de novo, puxando o ar pelo nariz e pela boca até chegar a doer de tão cheio que estavam seus pulmões. Faltava alguma coisa... Alguma coisa, algum cheiro qualquer de gás, alguma sensação mínima e prazerosa de intoxicação, de células entrando em estado vegetativo, algum vento qualquer que lhe trouxesse um cheiro aleatório de crime, de assaltos, e de tiros de bazuca contra a Camada de Ozônio.
Fechou os olhos mais uma vez, e inspirou de novo, tentando visualizar uma imagem qualquer pelos cheiros e pelas sensações que não estavam lá. Ele viu carros, fumaça, prédios altos – a fortaleza do capitalismo selvagem, viu um acidente de ônibus, viu o fogo, sentiu o cheiro de tinta queimando.. Viu uma multidão sem rosto vestindo ternos como se vestissem armaduras medievais, suas únicas proteções contra a selva de aço e concreto...
Abriu os olhos devagar, para ver, graças a um ultimo sopro de luz solar sobre o mar, alguns golfinhos saltando alegremente, próximos demais da praia. Ele não sorriu, como os poucos outros banhistas da praia estavam fazendo. Ele apenas suspirou, com desanimo, enquanto dava as costas ao espetáculo natural – que estaria lá amanhã, e depois, e depois, e depois.
Deveriam ser pelo menos quatro horas da manhã de um dia qualquer, pelo silêncio e escuro que tomava conta de todos os corredores do hospital, sendo quebrado apenas pelos passos ocasionais de plantonistas ou pelo suave apitar de uma ou outra maquina.
Uma noite bem calma, realmente.
O homem deitado em baixo das finas cobertas azuis do quarto 42 aparentava pouco mais de trinta anos, apesar dos vinte e três que realmente tinha. Ele tossiu de maneira áspera e cortante, o rosto contraído deixando mais que clara a dor que o gesto lhe proporcionava... Em sua garganta, atravéz de um pequeno orifício, um tubo estava preso, lhe permitindo respirar. Os olhos de cor indefinida, provavelmente dentro de algum tom de castanho, se fixaram no teto branco de seu quarto, tentando se lembrar da enchente de sintomas que o haviam destruído onze dias. Primeiro, o ataque cardíaco, enquanto corria pelo quarteirão, como fazia todas as manhãs. Depois foi seu fígado que morreu, apesar dele não beber, e a cicatriz na barriga deixava claro o transplante recém feito. E então, como em uma corrida, ele se lembrou de perder o movimento das pernas, a utilidade do rim, grande parte dos pulmões e quase todo o movimento dos dedos da mão direita. Fechou os olhos de maneira infeliz, quase miserável, enquanto aumentava a morfina para o maximo que a maquina permitia, numa tentativa falha de esquecer da dor para poder dormir. Um som estranho lhe fez abrir os olhos em busca de sua fonte, apenas para encontrar o escuro do quarto e do corredor a sua vista. Franziu o cenho e os fechou de novo, apenas para ouvir o som novamente, e acompanhar este se transformar em um blues melódico baixa, lenta, bonita apesar de melancólica.
“I’m going down to the cemetery
‘Cos the world is all wrong...
Down there with the spooks,
To hear’em sing my sorrow song.”
Levantou com dificuldade a cabeça em busca da origem do som, não encontrando local nenhum de onde ele poderia estar vindo, apesar da musica aparentar vir de dentro do quarto. “Oi?”, ele perguntou levemente receoso depois de tampar a saída de ar na garganta, apenas para não ouvir resposta nenhuma para o seu chamado do que a continuação da musica. O jovem moribundo passou alguns segundos em silêncio, até perguntar de novo. “Tem alguém ai?”, a voz ainda mais receosa dessa vez, foi acompanhada por uma série de tossidos pelo uso da fala. A musica prosseguiu por mais alguns segundos, como que indiferente as perguntas, até que uma nota pareceu se estender como se a corda da viola tivesse sido solta, até o som se perder no ambiente. Do canto escuro do quarto aonde deveria existia uma poltrona escondida nas sombras, um homem se levantou, vestindo um terno preto, simples, e um chapéu de feltro preto da mesma cor. Nas suas costas, pendia uma viola, presa por uma tira de couro a seu peito. Sua pele era tão negra que era difícil de definir os contornos de seu rosto no escuro, mas era fácil dizer que ele estava sorrindo, sorrindo de maneira gentil, levemente tristonha.
“Quem é você?” o moribundo perguntou com dificuldade, enquanto assistia a figura se aproximando. Dos lábios do homem da viola, veio apenas um som típico, parecido com “Shh”, deixando claro que queria que o doente fizesse silencio. Seria estranho explicar, se alguém lhe perguntasse, mas o jovem não sentiu o que seria normal sentir. Não sentiu medo, não sentiu apreensão... Pelo contrário: se sentiu calmo, tranqüilo. Se sentiu como se a presença daquele homem não pudesse fazer nada de ruim para ele, em momento algum.
Sendo seguido pelos olhos castanhos do jovem interno, o aparente Blueseiro se sentou no banco ao lado da cama, aonde normalmente se senta a visita, e olhou para o homem deitado, o sorriso reconfortante ainda presente nos lábios. Ele levou uma das mãos escuras, ásperas, até o rosto febril e suado do homem deitado a sua frente, e lhe passou a mão pela testa e pelo rosto, quase em um carinho, enquanto lhe tirava os cabelos escuros que estavam grudado em sua testa. O doente o olhava perplexo, sem entender absolutamente nada, mas sem se preocupar ou alarmar o suficiente para falar alguma coisa. O homem tirou a mão de seu rosto, a levando para a mão esquerda dele, a tomando com cuidado entre as suas duas. Os dedões se moviam devagar, em uma espécie lenta de carinho, enquanto a mesma musica começava a tocar baixinho, vinda de local algum dessa vez, aparentemente tocando apenas naquele quarto.
O doente, febril, sentia-se quente, mas não conseguia tirar os olhos dos olhos do outro homem, que lhe segurava a mão como se nunca tivesse existido alguém no mundo que ele amava mais. O sorriso de seu visitante mostrava-se levemente triste, melancólico, apesar de ainda ser estranhamente reconfortante. O rapaz derrepente deu-se conta de que a dor não existia mais, e que o sono lentamente lhe tomava conta da cabeça pela primeira em alguns dias, já que finalmente estava livre da dor. Ele levou a mão livre ao tubo em sua garganta com esforço, tampando a saída de ar com o dedo indicador, para poder falar. “Quem é você..?” ele perguntou, a voz já quase balbuciante devido ao sono. O estranho abriu um pouco mais o sorriso de carinho e tristeza, apertando um pouco a mão do rapaz entre as suas. Os olhos dele começavam a se fechar agora, dominados pelo sono atrasado... Ele queria manter os olhos abertos, queria continuar olhando e apreciando a estranha visita em seu quarto, que lhe preenchia com tão estranha calmaria, mas as pálpebras pesavam cada vez mais, enquanto começavam a lhe tampar a visão, pouco a pouco tudo a sua volta sendo lentamente substituído apenas pela imagem do visitante, e pela musica que corria pelo quarto, lentamente. Quando seus olhos estavam a ponto de estarem completamente fechados, completamente entregue ao sono, ele achou ter visto algo, ter sentido algo... Uma aparição rápida, um vento suave... Ele achou ter visto asas saírem das costas de seu visitante. Asas negras como a noite, repletas de penas que aparentavam a mais pura maciez... Mas seus olhos já estavam fechados, e o sono o dominava tão intensamente, que não conseguiu se fazer abri-los de novo.
““I’m going down to the cemetery
‘Cos the world is all wrong...
Down there with the spooks,
To hear’em sing my sorrow song.”
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Estou de volta, e declaro o Hiatus acabado.
Continuo no Tudo de Blog esse ano, iuhu! E não vou responder os comentários passados por que sou um calhorda preguiçoso, mas apartir desse post eles serão todos respondidos.
Solitária,
Prisão escondida
No fundo de uma alma
Bandida.
Solitária,
Prisão escondida
No fundo de uma alma
Contida
Solitária,
Prisão escondida
No fundo de uma alma
Partida
Solitária,
Prisão escondida
No fundo de uma alma
Vivida
Solitária,
Prisão libertina
Escondida no fundo
De uma cela sorrida
Num corpo prostrado
Num sorriso rasgado
Num abraço esperado
Num beijo molhado
Num sorriso prostrado
Num corpo rasgado
Num beijo esperado
Num abraço negado.
Solitária
Prisão escondida
No fundo de uma alma
Maltrapilha.
Ambiente e Indivíduos
A realidade é maleável, assim como qualquer conceito de "certo", "errado", "bonito", "adequado", "antiquado", "sensual", "vulgar", etc. A realidade e o sentido real das palavras se definem baseadas em duas variáveis: lugar e pessoas, e é a partir disso que se tem uma base sobre o sensual e o vulgar. Dentro de um baile funk, aonde o ambiente é propicio a micro-shorts e tops-tampa-mamilo, e as pessoas ali estão preparadas e esperam aquilo, você é sensual enquanto estiver semi-nua, e completamente vulgar de calça jeans e camiseta. O mesmo sentido se aplica a, por exemplo, um baile de gala: Até mesmo um vestido curto, justo, e aberto nas costas pode ser sensual dependendo de como você o usa, enquanto uma bermuda e uma camiseta são vulgares mesmo que você seja a Srta.Socialite. Lugar e pessoas. Tudo depende do lugar e das pessoas - e você conta como pessoa.
Dancing Monkey.
Vou ser direto antes que eu perca a coragem: Eu gostava de Br'Oz. Gostava a ponto de ouvir no ultimo volume cantando cada musica sem errar uma silaba, de comprar os CDs originais, de saber o nome de cada um de cor e reconhecer os donos das vozes em cada musica. Eu até tinha o segundo CD deles, que aparentemente ninguém nunca ouviu falar da existência. Eu considerava as letras estilo sertanejo-mais-sofrido-com-tentativa-falha-de-ponta-sensual-em-ritmo-pop o auge da musica brasileira, e criava histórias mentais baseadas nas musicas, e cantava versos que eu achava que tinham haver (mesmo muitas vezes não tendo) como respostas de perguntas. Eu até usava como maldito toque do meu celular uma das musicas... Ah, e eu também já me vesti de mulher (o que foi a gota da'gua que me fez cortar o cabelo), mas isso não chega aos pés do resto, chega?
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E o Hiatus.
"Você pode ser tão cruel", ela disse, os olhos castanhos repletos de um olhar perdido em algum lugar entre magoa e julgamento, enquanto esmagava um cigarro no cinzeiro, como se fosse a ele que afundava num mar de cinzas e brasas apagadas.
"Claro", ele pensou, suspirando aborrecido sem nem dar-se conta de que o fazia. "Dos carrascos, o pior.". Não era a primeira vez que ela vinha com aquelas coisas, aquelas lamentações espontâneas, e ele podia apostar com qualquer um que não seria a ultima, mas isso certamente não lhe tirava o direito de se aborrecer, de se incomodar com aquele discurso que de tão repetitivo, começava a lhe parecer entediante - mais do que sempre fora, se isso fosse possível.
Ele levou os olhos falsamente imunes de volta para os dela, sério, como se esperasse o resto do discurso com uma impaciência acida... E o gesto durou apenas o tempo necessário para que percebesse que, se queria que o prólogo não se estendesse até a trama central, a melhor coisa seria fingir se concentrar na televisão.
"E você nem se importa", disse ela, o principio de raiva ardente abortando a gestação cautelosa de lágrimas. "Você sabe que eu estou chateada, e nem se importa.".
"Não mesmo", ele escutou as palavras saírem casualmente de seus lábios antes que pudesse fazer qualquer coisa, inconsciente de como isso confirmava o julgamento ao qual havia sido submetido segundos antes... Notou graças a um olhar furtivo e despercebido que ela abaixava a cabeça, e se levantou, saindo dali na esperança de que estaria longe o suficiente para fingir que não percebia quando ela começasse a chorar. Cruzou alguns cômodos, indiferente à velocidade - ou falte de - da qual se enchiam seus passos, até passar pela pequena cozinha, de onde surrupiou o isqueiro do fogão, e dela para o quintal dos fundos, aonde acompanhado pelo silêncio incomodo da vizinhança ele meteu a mão no bolso da calça jeans, puxando de lá um único cigarro amarrotado. Encostou as costas na parede de azulejos claros, os olhos fechados só se abrindo depois de sentir, pela primeira vez em varias horas, o pulmão repleto de fumaça.
"Não era desse jeito", ele constatou em voz baixa com os olhos presos em uma nuvem escura que tampava o sol pálido da estação. Não se referia as lamentações sem motivo ou as respostas acidas, mas sim ao que vinha depois: Em algum momento do passado, ele poderia dizer com certa quantidade de certeza que sentia algo. Algum tipo de culpa, algum tipo de tristeza, algum tipo de vontade de voltar lá e pedir desculpas... Mas não agora. Agora ele era tomado por uma mistura de aborrecimento e satisfação, como se soubesse com certeza absoluta que ela merecia aquilo - mas ele não sabia, e nem mesmo sabia por que achava saber... Só sabia que a sensação estava lá, e que algo lhe dizia que ela não iria embora tão cedo. Deixou então as costas escorregarem pela parede fria, o obrigando a se sentar, apoiando o braço que carregava o cigarro no joelho direito, que estava dobrado. Encarou a brasa sem saber qual era sua expressão, os olhos concentrados no queimar lento do papel e do fumo... Aquilo sempre lhe fazia bem, aquele hábito de observar as coisas serem queimadas, e finalmente deu-se conta de que suas excursões a fogueiras em latas de lixo e explosões de caixas de fósforo com fluido de isqueiro haviam diminuído consideravelmente desde o momento em que o vicio do fumo havia entrado em seus dias... Talvez não fosse (apenas) a nicotina que o fazia se sentir melhor, e sim a presença tão necessária da brasa, do fogo, da corrosão.
"Estamos todos queimando, de um jeito ou de outro.", ele comentou sem saber ao certo qual era o sentido daquilo, como se falasse com alguma outra pessoa que não estava ali.
Tragou o ultimo centímetro do cigarro de uma vez, até sentir o filtro lhe queimar os lábios, e o jogou ao chão de cimento. Soltou a fumaça grossa pelo nariz, e fechou os olhos, apoiando a cabeça na parede atrás de si, em silêncio.
"Estamos todos queimando.", ele repetiria dali alguns minutos, dessa vez em tom de quem havia entendido. Sorriu um sorriso sem dentes, como eram todos os seus, e ainda de olhos fechados, adormeceu.
Vazio
Vazio
Vazio
Vazio.
Inferno
Quente
Frio
Vazio.
Vazio
Vazio
Vazio.
Sozinho
Deserto
Quente
Frio
Vazio.
Sozinho
Vazio.
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O Hiatus continua.
Galera, lembram da mudança que eu falei no outro post? Então. Vim parar num fim de mundo, e, até o presente momento, to sem internet.
Blog em semi-hiatus por tempo indeterminado.
Perdón, e rezem pela minha sobrevivencia.
As vezes começo a pensar
Em ser um passaro livre a voar
Poder ir e nunca voltar
Não ter preocupações
A não ser vivo estar
Viajar sem nada pagar
Me dirigir para a imensidão azul do céu
E simplesmente desaparecer em seu véu.
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Estou de mudança, e naquele abre-gaveta-monta-caixa, achei um caderno em que, quando comecei a escrever, anotava os meus poemas.
Essa tá na primeira pagina, então deve ser a primeira.
Comecei acho que na quinta série, com uns, sei lá, onze, doze anos. De qualquer maneira, agora que to com esse caderno em mãos, vou ver se começo a postar algumas. Nem todas são boas, mas posto assim mesmo. Aviso quando for uma dessa "série".
Beijos ai. E comentem!
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