Era uma vez um vaso. Um vaso, como muitos vasos, cheio de terra. E como em muitos vasos cheios de terra, esse vaso tinha uma planta. E como em muitos dos vasos com terra e planta, existia uma flor. A Flor não era a flor mais exótica que alguém podia ver, isso não era mesmo. A Flor era só uma florzinha qualquer, bonita, de várias pétalas, de um vermelho cor de paixão. . E como toda flor, transbordava glamour e charme. E como toda flor muito bonita, tinha espinhos. Não eram espinhos grandes e cheio de maldade. Eram espinhos pequenos, para que quem a manuseasse tivesse que ter o mínimo de cuidado. Essa flor, um dia acordou, e olhou para si, e para tudo a sua volta. Ela viu muito verde, mas não viu nada de outra cor. Nada tão vermelho como ela, e nem de tons mais claros. Nem mesmo de um rosa aquarela, daquelas quase transparentes. Era só ela, em um mar de verde e marrom. Ela, sua terra, suas folhas, e seu vaso. Só isso. E, como toda flor que nem ela, ela se sentiu sozinha. Se sentiu sozinha, abandonada por algo que nunca tinha estado lá. A Flor passou um tempo grande, assim. Para ali, em meio aquela vastidão de verde e marrom. O Tempo passou, e a flor começou a se sentir cada vez pior. Por que a cada dia, a flor ficava mais vermelha, com mais pétalas, e, infelizmente para ela, com mais espinhos. Ela tentou se livrar de algum dos espinhos, pensando que, talvez, quando eles caíssem na terra, uma companhia pudesse brotar ao seu lado, alguém com quem ela pudesse dividir toda a sua vermelhidão de paixão. Só que, a flor não tinha braços. Ela não conseguia se livrar de seus espinhos, por mais que se esforçasse para isso. O Tempo passou, cada vez mais cruel e solitário, e a flor começou a murchar. Murchar, ficar torta... E nem tinha vontade de se ajeitar. A Flor começou a acreditar que estava sozinha. Que não existiam outras flores como ela, com quem ela pudesse dividir a sua cor e as suas pétalas. E tudo isso deixava a flor pesada, e ela murchou de vez. Enquanto caia, com seu corpinho fino e espinhoso em direção a terra, ela fechou os olhos. Fechou os olhos, e sentiu seus espinhos sumindo, quando se enterravam na terra. A Flor estava sem espinhos. Ou pelo menos, seus espinhos não eram visíveis. Ela caiu com a sua cabeça vermelha, em meio a uma folhagem densa, dentro daquele seu vaso cheio de terra. Mas ela ainda estava viva. Ofegante, mas viva. Quando, para a surpresa da flor, as folhas se mecharam! Não era vento, não era não! De repente, do meio das folhagens em que ela havia caído, caia uma outra flor! Outra flor, tão vermelha como ela! Tão cheia de espinhos, tão cheia de glamour e beleza, como ela! A Flor não se continha em sua alegria, quando aquela flor caiu a sua frente, com as suas pétalas encostando nas suas, de maneira tão sutil. Ela não tinha palavras. Nem ela, e nem a outra flor. Nenhuma das duas acreditava finalmente ter encontrado alguém com quem dividir sua cor e sua pétala! E as flores começaram a chorar. Choravam de alegria e de tristeza. Alegria, por terem encontrado finalmente, alguém com quem dividir a sua cor. E de tristeza, por terem demorado tanto a descobrir, algo que estava ao seu lado. E Quão não seria a surpresa, de um observador atento, quando visse as flores se calarem devagar, com um suspiro apaixonado, e suas pétalas caírem devagar, todas levadas pelo vento, a um mesmo lugar. Uma em cima da outra, em um montinho vermelho-paixão, mais alegre do que qualquer um que já se tenha ouvido falar.
Postado por:
Sarx
às
01h25
| envie
esta mensagem
[link]