Civilize Me
Eu tenho direito de usar chinelo, shorts, e regata para andar pelo meu bairro, e tenho direito a não ser destratado por alguém por isso. Tenho direito de pedir informação em uma loja de roupas de festa, vestido assim, sem que a vendedora me lance aquele olhar de analise da cabeça aos pés, e solte um “não” bem seco, com a entonação bem conhecida por todos de “de o fora daqui.”.
Cada um tem o direito de usar o que lhe fizer sentir bem, seja uma mini-saia sobre uma perna feia, um decote em V até o umbigo de uma idosa, ou uma babylook em uma gorda.
Parte do processo de estar chique, é se sentir chique. Parte do processo de estar bonito, de chamar atenção, é sentir que o está fazendo. Quando você acha que esta bonito, você age como se estivesse bonito, o que te faz parecer bonito – por que não existe maquiagem no mundo que tenha o mesmo feito que autoconfiança.
Ser chique está no olhar, esta nos gestos, esta na mente, e esta no falar. Para ser chique, a roupa é o menos importante. E eu vou continuar usando bermuda e chinelo para andar no meu bairro, por que tenho direito a isto, quer a dona da loja goste, quer não. Por que, a verdade seja dita, nada mais confortável que um par de chinelos, ou até mesmo, a falta de qualquer coisa nos pés.
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Pauta para o TDB
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Sarx
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18h23
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Resquicios Tristes de Um Dia Feliz
Tudo que tenho de amor em mim foi dado
Dado, ou por mim criado. Criado em dias tristonhos,
Por ilusões de boca a boca, boca falada ou tocada
Ilusão criada, ilusão mantida, ilusão matada
De tudo que tive de amor em mim,
Ainda resta um bocado, pronto para ser retirado.
Que o seja rápido, que o seja distante, que o seja lento, ou que o seja colado. De tanto amor ilusionado, ainda mantenho um pouco guardado, guardado distante da mente que o quer dilacerado. E ele ainda busca ser retirado.
Não me preocupo mais com como, ou por quem. Não me preocupo se amor de amigo ou amor de amante, não me preocupo se áspero ou macio, se masculino ou feminino. Não me preocupo mais. Não me preocupo se será agora ou adiante, brasileiro ou argentino.
Mentira. Agora. Tem que ser agora, ou mais hora, menos hora. Não agüento mais esperar. Tem que ser retirado, antes que se torne putrefato. Tudo apodrece, e do amor não se faz exceção. E tudo que se apodrece, se infeciona e se perde.
Que não se perca, oh meu amor.
Que não se perca.
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"Tudo que tenho de amor em mim foi dado", é o começo de uma poesia de Vinicius de Moraes
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Sarx
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22h13
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Rock Your Socks Off
Tire as meias de seus pés, e os deixe no chão. Sinta a grama, sinta a terra, sinta até mesmo a poluição. Não importa o que, mas sinta.
Ande descalço, pise em pedras, em espinhos, e em cacos de vidros. Mas não deixe de pisar.
Ande por onde já andou, ande por onde ainda quer andar, e ande pelos lugares que jamais quis andar.
Ande. E ande descalço.
Mostre ao mundo a cor dos seus pés, tenha orgulho em mostrar suas solas marcadas, cicatrizadas, e tão negras que cândida nenhuma jamais fará efeito. E se orgulhe disso.
Não tenha medo de dizer “Eu ando descalço, e sempre machuco meus pés!”. Tenha vergonha, se o que tiver a dizer, contar sobre os seus pés limpos, seus pés macios, seus pés virgens. Ou melhor, não tenha vergonha. Jamais tenha vergonha. Arranque suas meias, e mostre suas unhas. Suas unhas mal cortadas, suas unhas vermelhas, suas unhas grandes, ou sua unha encravada. Mostre que você as tem. Mostre que um dia você já pisou no chão, mostre que um dia, pelo menos um dia, seus pés já viram o mundo, e que ainda tem dentro de si alguma coisa que remete a esses tempos.
Tempos sem o imperialismo das meias, sem a opressão dos calçados. Tempos de liberdade, tempos de pedras no calcanhar.
Tempos de vida.
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Sarx
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00h20
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